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Blog ABA

Amamentação e Doença de Addison é possível?

Essa semana é comemorado o dia Mundial da Amamentação e ficamos buscando algum artigo para compartilhar com as mamães ou as que pensam em ser mães e  que tem a Insuficiência Adrenal, mas não encontramos nada relacionado, achamos um artigo falando de Amamentação e Addison com casos de 1940, então vimos que eramos nós da ABA - Associação Brasileira Addisoniana a produzir alguma informação. O que dividimos são algumas histórias de mamães do grupo Família Addison, cada uma de um canto do Brasil, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul  compartilhando suas experiências de amamentação com a Doença de Addison junto.

Em 1º de agosto é comemorado o Dia Mundial da Amamentação, data criada em 1992 pela Aliança Mundial de Ação pró-amamentação (World Alliance for Breastfeeding Action - WABA) com a finalidade de promover o aleitamento materno e a criação de bancos de leite, garantindo, assim, melhor qualidade de vida para crianças em todo o mundo. A data é comemorada dentro da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que ocorre em 120 países anualmente entre os dias 1º e 07 de agosto. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a amamentação é a principal forma de fornecer ao bebê os nutrientes necessários para sua sobrevivência e seu desenvolvimento. Nos primeiros seis meses de vida, deve ocorrer o aleitamento materno exclusivo, sem a complementação com nenhum alimento. Após o período de seis meses, outras substâncias podem ser oferecidas à criança.  Porém deve continuar a amamentação pelo menos de dois ou três ano de idade.

Um mito popular do tal "leite fraco", queremos deixar bem claro esse fato não é realidade. Todas as mulheres apresentam leite capaz de nutrir e proteger sua criança, portanto, não é necessário adicionar nenhum produto à alimentação no início da vida de um bebê. Vale destacar ainda que o leite da mãe já está na temperatura ideal para a criança, não necessita de esterilização e pode ser usado sem medo. No leite materno, a criança encontra não só as substâncias necessárias para a sua nutrição, mas também anticorpos fundamentais para protegê-la no início da vida. Estudos comprovam que a mortalidade por doenças infecciosas é menor em crianças que são amamentadas. O leite materno também garante proteção contra infecções respiratórias, evita casos de diarreia e o seu agravamento, além de diminuir os riscos de alergia. Além de fortalecer os vínculos de mãe e bebê .No que diz respeito aos benefícios a médio e longo prazo, a amamentação faz com que as crianças apresentem pressões arteriais mais baixas, menores níveis de colesterol e uma redução do risco de desenvolver obesidade e diabetes tipo 2. Nesse último caso, podemos destacar o fato de que a mulher que amamenta também apresenta esse risco reduzido.

Porém os benefícios não são só para os bebês as mamães também são beneficiadas, merecendo destaque a proteção contra o câncer de mama e de ovários, bem como a diminuição dos riscos de morte por artrite reumatoide. Nos primeiros seis meses, o ato de amamentar pode garantir uma proteção contra uma nova gestação. Estudos indicam que a ovulação está relacionada com o número de mamadas diárias do bebê, sendo assim, ela ocorre mais antecipadamente em mulheres que amamentam menos vezes. Podemos destacar ainda que a amamentação cria um maior vínculo afetivo entre a mãe e o bebê.

Para aquelas mulheres que por algum motivo não podem amamentar, o leite materno pode ser conseguido nos chamados Bancos de Leite Humano. Esses bancos são mantidos graças às mulheres na fase de amamentação que apresentam excesso de leite e realizam a doação, garantindo, assim, qualidade de vida para outras crianças.

Diante de tantos benefícios, a amamentação é fundamental para a saúde da criança. Sendo assim, iniciativas como a Semana Mundial de Aleitamento Materno e o Dia Mundial da Amamentação são essenciais para garantir a conscientização da sociedade sobre essa questão. 

Pensando nisso procuramos alguma informação sobre Aleitamento Materno e a Doença de Addison e não conseguimos achar nada atual, por ser uma doença rara e com poucos estudos, resolvemos compartilhar com vocês algumas observações que temos através de nossos participantes do nosso grupo. Pode ser que alguma futura mamãe esteja com muitas dúvidas, queremos compartilhar a História de quatro mamães muito especiais que dividiram suas  Histórias de superação e muito amor envolvido. Agradecimento especiais as nossas mamães Addisonianas.

Vamos falar da nossa primeira mamãe a Cris Kruguer, seu depoimento está em nosso site www.abadisson.org.br, a Cris estava mal ninguém sabia o que ela tinha até que depois de muita luta conseguiu o diagnóstico e descobriu que estava grávida quatro dias depois do diagnóstico, vale a pena ler o seu depoimento em nosso site. Imagina a confusão na cabeça dela ao se descobrir com uma doença rara que quase ninguém sabe e se descobrir grávida e  ela no meio desse caos foi em busca de pessoas com o mesmo diagnóstico, chegou ao grupo do Facebook e viu o post para o grupo do Whatsapp, nosso grupo ela pediu ajuda e uma pessoa foi conversar com ela que era possível que ela ia conseguir pois tinha passado por isso e que conseguiu amamentar sem problemas. Ela fez o tratamento do Addison, foi se recuperando e consegui amamentar seu filho João que nasceu em 26/03/2015 e foi a época que ela se sentiu melhor, livre dos sintomas do Addison, claro que sentiu cansaço, fraqueza como qualquer mamãe com uma rotina de quase não dormir. Mas nada comparado a exaustão do Addison. Amamentou somente no peito até aos seis meses e  depois com a introdução de novos alimentos até aos 2 anos. Tem um filho lindo e saudável.


E nossa próxima mamãe a Laura de Mato Grosso do Sul, a Laura contribui de duas formas, ela teve 2 gestações, uma sem Addison e a outra com o Addison, nos contou que foi tranquilo a sua gravidez que os médicos estavam mais preocupados que ela, se sentia

" maravilhosa", se sentia muito bem, época que se viu livre dos sintomas. Nos disse que essa questão de amamentar sempre foi uma dificuldade dela, no seu primeiro filho ela não tinha o Addison e ela não teve leite, não chegou nem a produzir o colostro, já na segunda filha a Paola ela já tinha o Addison e ela teve até o colostro coisa que na gravidez anterior não conseguiu produzir.  Mas ela conta que essa dificuldade é algo que ela já tinha, mas na amamentação do Addison conseguiu amamentar até 1 mês e meio e depois o leite secou, mas foi tranquilo esse período de amamentação, não sentiu sintomas , porém depois de 10 dias ela sentiu os sintomas do Addison e precisou  ir para emergência para tomar o soro com a hidrocortisona, chegou a ter que usar esse recurso duas vezes e depois estabilizou. Conta que quando amamentava não sentia o cansaço a exaustão do Addison, apenas no começo que precisou de ir ao Pronto Socorro.

Nossa próxima mamãe é a Beatriz de São Paulo , a história da Beatriz é totalmente diferente das demais, e o caso que chamo de verdadeiro milagre do Natal seu lindo bebê Benjamin nasceu no dia 25/12/17. Beatriz estava com sintomas da Doença de Addison e não conseguiu diagnóstico, ficou grávida na época mais cruel do Addison onde os sintomas são mais críticos podendo ser fatal, chegou a pesar 45 kilos e ainda carregando um bebê dentro de si. Ela passou muito mal na gravidez, estava sem o tratamento adequado mas ainda sim seu filho nasceu com 35 semanas de gestação pesando 2 kilos e foi para UTI Neonatal ficando 3 dias e saindo bem, mas Beatriz não estava nada bem, precisou reinternar para receber sangue, como ela não estava fazendo tratamento algum para o Addison claro que os sintomas estavam cada vez mais presentes e com força total, Ela chegou a colocar ele para amamentar mais se sentia fraca, com tonturas e dores abdominais e mesmo assim ela tentava, mas conseguia por pouco tempo e ele tinha que receber o complemento. Quando ele tinha 10 dias de vida, reinternou novamente, dessa vez por conta de uma infecção na ferida operatória. Ficou 3 dias internada e ele junto da mamãe, então conseguiu amamentar, mas depois da alta no retorno com a sua médica como ainda passava muito mal e estava perdendo peso demais ela pediu que eu parasse de amamentar, para não perder mais peso. Ela estava com 15 dias após o parto com 45 kilos. Ela tentou parar de colocar ele no seio mas sentia muita falta, então combinou com o marido que o Benjamin mamária só uma vez por dia. Isso permaneceu até mais ou menos 20 dias de vida dele, quando começou a ficar mais debilitada e e teve mais uma internação na UTI adulto. A primeira coisa que o médico da UTI  queria fazer, dar um remédio para secar o leite, mas ela não quis. Foram 5 dias na UTI longe do seu bebê, e assim que foi pra semi intensiva seu bebê veio ficar com ela e ainda assim tinha leite!! Então com 35 dias de vida voltou a amamentar seu bebê, em tratamento se sentia bem e amamentava normalmente. Precisou de auxilio de uma consultora em aleitamento e antes dele completar 2 meses conseguia amamentar quase exclusivamente!! Só precisava dar mamadeira 1 vez durante a madrugada porque era difícil acordar! Assim foi até ela voltar a trabalhar aos 5 meses e meio de vida dele! Ela consegui o seu diagnóstico com Insuficiência Adrenal um mês após o parto. Como esse começo de aleitamento foi difícil, ele logo desmamou por confusão de bicos! conta Beatriz. Nesse meio tempo ele ainda desenvolveu alergia a proteína do leite de vaca, e precisou entrar numa dieta restritiva mas adorava dar o peito fala nossa mamãe guerreira! "Esse tempinho que tivemos junto foi muito bom! Eu me sentia muito próxima dele!!"

Vimos que no caso da Beatriz mesmo no auge de toda crise, sem tratamento adequado, ainda assim conseguiu amamentar, claro com algumas intercorrências mas ela traz uma verdadeira lição de vida e de luta. Muita saúde para vocês verdadeiros milagres do Natal.


A nossa última mamãe é a  Kris com K, a mamãe Kristinne Folly, tinha um sonho de ser mãe,  a conhecemos antes de se tornar mamãe torcíamos junto com ela pela chegada do Klaus. A história de Kristinne é um pouco diferente, ela já tinha o diagnóstico, fazia o tratamento estava estável e queria engravidar, se planejou, até que veio o resultado positivo, foi uma alegria no grupo uma nova mamãe. No dia 15/05/2018 nasceu o Klaus. Ela adepta de uma alimentação mais natural foi levando a gestação sem problemas, e sempre relatava que era a época que teve o melhor período sem sentir qualquer sintoma relacionado a Insuficiência Adrenal. Quando o Klaus nasceu, conseguiu amamentar sem problemas algum, assim como as outras mamães, disse que foi o período que se sentiu ótima sem sintomas e com disposição, claro que tinha cansaço de uma rotina de quem tem um bebê em casa mas nada comparado com o cansaço da doença de Addison. A Kris ainda amamenta a única dica que ela percebeu é para se hidratar bastante bebendo água nos intervalos das mamadas.

Gostaríamos de agradecer a essas mamães tão especiais que dividiram suas histórias conosco, com certeza uma enorme ajuda, para quem procura por informações. Podemos perceber que cada caso é único mas com certeza traz uma luz em um assunto tão importante e tão pouco divulgado. Amamentar é um ato de amor, com certeza essas histórias podem ecoar com novas possibilidades nesse mundo da Insuficiência Adrenal com tão poucas informações.






Imagens Cedidas pelas mamães do Família Addison a ABA - Associação Brasileira Addisoniana


Adriana Santiago

Psicóloga e Vice Presidente da ABA

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